À frente do programa ‘Matéria de Capa’, da TV Cultura, Aldo Quiroga não esconde a paixão pela reportagem. Com carreira que data os anos de 1990, o jornalista vê o trabalho do repórter em todos os momentos. "A reportagem é a alma do jornalismo. Seja qual for a função exercida no momento, a reportagem faz parte do dia a dia. Qualquer jornalista é repórter quando exerce, por exemplo, uma função básica a todos: checar a informação", diz.
Autor de trabalhos que, certamente,
ficarão para a história do jornalismo brasileiro, Quiroga explica que o
principal é sempre pensar como repórter, ter na ponta da língua as seis
perguntas do lead, "afinal, não temos que saber as respostas, mas temos
que fazer as perguntas certas", afirma o profissional que, além de
apresentador e repórter, é professor do curso de jornalismo da PUC de
São Paulo.
Quiroga foi responsável pelo
desenvolvimento do vídeo reportagem em 1996, na TV Cultura, e, assim,
flagrou acontecimentos que marcaram o País, como a reintegração de posse
na zona leste de São Paulo, num terreno da CDHU, que resultou na morte
de três sem-teto, Crispim José da Silva, Geraci Reis de Moraes e
Jurandir da Silva.
“Gravei a ação como vídeo repórter para o
telejornal ‘60 Minutos’. Com minha câmera, registrei e narrei a morte
de um dos sem-teto, o Jurandir da Silva. Ainda em início de carreira, o
fato deu cor e cheiro, coisa que repórter de rua conhece bem, aos
relatos distantes de abuso e despreparo policial para as questões
sociais”, conta.
Apesar das mudanças ao longo dos anos,
Quiroga acredita que novas tecnologias dão cada vez mais possibilidades
para a presença do jornalista em todos os lugares. Para ele, no entanto,
a essência do jornalismo é a reportagem como prática do questionamento a
serviço do interesse público e isso não deve mudar nunca. “Quem não
entende a importância da reportagem para o jornalismo, não sabe
diferenciar um profissional de relações públicas de um jornalista
profissional”, afirma.
Prezadas e Prezados, aproveitem para, a partir da reportagem com o Aldo Quiroga, dar sua própria opinião.